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                                                      Quel Amour!? “De onde nasce o amor das origens senão das origens do amor? Daquilo que não continuará e que igualmente nunca terminará.” - J.-B. Pontalis ((L’Amour des commencents. Galimard, colecção Folio, Paris 1994, p. 70). Assim começa a curadoria de Éric Corne da exposição temporária Quel Amour!? Lisboa , Paris, Marselha, uma brilhante cosmogonia sobre o amor.  O enunciado de Pontalis, a um tempo, aponta os limites e a tautologia da linguagem. Não é que o amor esteja fora do jogo da linguagem e não produza os seus próprios discursos, mas, apostar numa natureza significante dele, seria um esforço inútil, e que, por definição, estivess...
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                                                         O salto                                           variações sobre um tema Heidegger, Pessoa e Kafka formam um caleidoscópio de personalidades que, no seu conjunto, originaram uma indiscutível “figura mítica” admirada e cultivada. Especializaram-se em pensamento, mas não em lógica (apesar de Heidegger lhe conhecer bem os contornos). São analíticos, profundamente analíticos. Fazem parte de uma linhagem a que poderíamos juntar Freud. Repensar...
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                                  Uma canção desesperada Ter nas mãos a mesma canção cantada por dois dos principais responsáveis pelo resultado final, mas distintos, e que admiramos, dá-nos a perturbante sensação de participarmos num jogo de reversões, indecisões e traições, aquando confrontados com a escolha entre ambos. Please, Please, Please, Let Me get Waht I Want , já por aqui passou. Mas um poema não se lê uma só vez. É uma breve canção, de uma subtil intensidade musical e de incomparáveis penumbras e luminosidades.  Entre a voz de Morrisey - imponente e quente, e o virtuosismo - de Johnny Marr  (foi quem efectivamente compôs a canção), escolha-se. É difícil. Se, por um lado, Morrissey constitui por excelência o garbo, por assim dizer (repara-se na categoria, este tipo não é de confiança), já a performance de Johnny Marr está mais perto da música de câmara. O discurso in...
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                                                                      o salto “A interpretação técnica do pensamento como cálculo que se instalou na cultura ocidental, primeiro com a filosofia e depois com a ciência, procura garantir o domínio do homem sobre a efectividade do real. Adopta, por isso, um ponto de vista representativo, privilegiando a exactidão do conceito, a lógica e as categorias explicativas da causalidade. O pensar hermenêutico de Heidegger, pelo contrário, convida-nos a fazer a experiência existencial e hermenêutica do “estar-aí”, o que requer, como não cessa de nos advertir, um salto ( sprung ) das meditações ônticas do calcular para o horizonte da eksistência onde, mais originariamente, o ser se abre em clareira e o mundo se dá ver.” Mafalda de Faria Blanc, Estudos sobre Heidegger. ...
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“A ti, por sua causa e tua, uma pessoa pode dizer a verdade como a mais ninguém, mais até, pode saber a sua verdade directamente de ti”.                                                           “ O amor é seres para mim a faca com que remexo as minhas entranhas” Franza kafka, Cartas a Milena. Tradução, prefácio e notas, António Sousa Ribeiro. Relógio D’ Água Editores, Outubro de 2018
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                                                                                                                          O SAL DA LÍNGUA                                                              Eugénio de Andrade, O Sal da Língua. Assírio & Alvim. 2018 .
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                                                   “A alta sacerdotisa da alma”                      As canções de Nina Simone transformaram-se num comentário à sua vida pessoal. E, se quisermos vulgarizar ainda mais o comentário, é limitarmo-nos a dizer que foi “uma das maiores etc. da música negra”, a “melhor de tal e tal”, por aí fora. Não é que tudo isso seja irrelevante. Mas é a abordagem bocejante e agrilhoada ao reles e barato senso-comum. Certo, é que a sua música provoca a detonação da minha vida interior. Ouço-a, e apercebo-me da obliteração que ela faz entre o que sente e o que se pode transmitir, agraciando-me com um canal directo à sua alma. Por isso, se diz, que é ...